segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

O ACORDE DA ALMA PEREGRINA

A vida é a sintonia ...
a batuta do maestro...
que no menos gesto...
tira o brilho...
ou contorna a sonata... o tom...
a fineza do toque da afinação...
Que por intuição lhe induz ao contexto...
para que a plateia...
não sinta a nudez da nota que o maltrata...
A vida... espírito que anda...
e como a mais fina melodia...
desperta... circula... faz girar os ponteiros...
E quando acontece em cada entardecer...
a melodia sob aplausos acaba... como se posta uma linda moldura sobre a vida...
Não precisa queremos...
mas posto que é vida...
somos passageiros
E assim.....somos melodias.

RS/SC, 04/12/2017
Renato Wallauer

sábado, 2 de dezembro de 2017

Sub Figueira céu de estrelas e luar

POEMA DA SAUDADES

Anjo! Onde você Está?

Estou... talvez... a luz das estrelas... a sonhar...
A sombra da figueira campesina...
A sombra da figueira campesina...

Onde espio a lua cheia vir se banhar... feito donzela... nas águas da lagoa...

Conto estrelas...  uma a uma... e nelas percebo que muitas não consigo contar...

Por que as pestanas da figueira soltas ao Minuano que chora... não para de chaqualhar...

Vou... enciumado... para a luz Clara do luar... e percebo que de inveja... todo o universo de estrelas... também estava a me achar... e... erguendo... ao léu... o abraço quente...

Vi ...

Senti... entendendo que lá do céu...

Deus... entendia o amor da gente...

domingo, 26 de novembro de 2017

SUB IPÊ - Amor Platônico

No lampejo da lamparina...
já reclinado...
pelas pálpebras se desenhava
Um quente desejo...
quando rangio a porta...
O vento cochilando fraco...
Assobiava lá fora...
volta e meia o galho do velho ipê...
acarinhada o telhado...
Me virei semi desnudo...
de costas como se meio destapado
Ignorando...
visto que... canção da lida me punha... solto a divagar sem sono
De repente a lamparina...
velho candieiro... se apagou.
E... escutei um suspirar pedindo aconchego ... que como eu ... sem sono... buscava outra luz para ficar...
Não vi... mas senti o perfume que como de rosa ... buscava uma pétala... e outra sobre meu corpo ... e seu frio ... se punha ... indelével me buscar.
Pediu... sem falar ... o abraço amigo ... roçou com as pontas das unhas ... minhas costas ... senti seus lábios quentes buscar os meus...
Me virei...
...tava molhado de amor.....quando ...
Nada vi nem senti... era um sonho... acordei...
Bom dia...
Era você...

VELHA FIGUEIRA

A VELHA FIGUEIRA

A sombra da figueira...
em noites de lua nova.

Toda bicharada... quatis, zurilhos, mão pelada,
coruja, grachaim ... tudo vem banquetear ...
As frutas que damos... viram a noite ... maravilha de se ver ...
De dia ... essa cantoria ... do clarear ao anoitecer ... mas quando a lua cheia ... vem ... refletindo na lagoa...
percebo que sai da mata ... donzelas ... que dentre orquídeas e bromélias ... vem trançar danças pelo campo ... como se num condão de fadas ... alimenta meu sonhar ...
E por que não ... confessar ... meu viver.
Aquarelas do criador ... no quintal de casa ... Página de luz ...
De um poeta sonhador ... RS/SC, 26/11/2017
R.W.

A SANGA

Lá fora...
as lágrimas do tempo se embrulha no aconchego das penas da saracura...
cada gotinha...
tento feito menino...
segurar na palma da mão branquinha...
e joga-las na sanga ... ainda decorada com as pitanga que a brisa sacudio pros lambaris ... lá e aqui
Como eu.
Nas redeas do pensamento...
largados por aqui...
Como se o tempo me assoprasse no ouvido... distante um coração entristecido...
Chora de saudade de você ...
Numa melodia sem final...
como gotejar... E no entanto... anoitece no avarandado... donde curruiras
Comem pirilampos...
E as rãs  na sanga teimam em me deduzir
Num bailado
Feito orquestra
E assim...
a névoa úmida e fria vem buscar meu peito...
e fustigar meus desvelos do dia q se foi sem se despedir...

RS/SC 26/11/2017
R.W.

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

O ROUXINOL NO ENTARDECER

Curti ....como rouxinol... O entardecer febricitante
Que densamente cresce a todo instante
Despido de ilusões de outrora...
Não pode viver ... hilariante... mesmo agora...
Sem emoldurar o dia que se despede... e o véu ... que nos cobre e nos namora...
Feliz... pelo encanto... de sentir cada gota do coração que venera... e sutilmente... de saudades... chora.
Em cada lampejo do meu canto.

... RS/SC, 24/11/2017
R.W.

LAGO AZUL DOS CISNES

A vida.....
manso...
lago azul.
Algumas brumas....
sem ondas...
nem espumas...
nesse mar vermelho e quente...
tem sido para mim...
constantemente...
um mar sereno...
de alvacentas plumas....

Indelével
Sobrepondo as dunas...
lampejos de sonhos...
e por sobre o largo....escunas...
a banhar meu pensamento.

Que timido...
Sois...
que não me cortejas...
como Phoenix que lampeja para sobrevôos itinerantes.

Pois sou um cisne...

Que agua alguma ou olhar distante se tisne...
que jamais... que eu parta.
Nunca mais...
nade ao lado de outro cisne...

RS/SC, 24/11/2017
R.W.

QUEM SOU?

Agora...mesmo estou a cestiar as aquarelas da vida..

Pelas palpebraz caídas...
Sutil...
Me beija um beija-flor...
E que ...
Leve na boca escorre doce mel...
Das seivas dos teu beijos..

que me fez...
cochilar a sombra do tempo...
como se vivências de sonho eterno...
e jamais quizesse despertar...
Com medo de acordar e te perder..

Quem sabe..,
seria você...
Tem alguém sorrindo...
Viste.....
A algo maior vindo querendo pousar

E tu cochilavas...
e eu sorria vendo você dormir...
Assim... nasce ... cresce...
ama e permace...
a aura que abranda...
quando a vela a chama desaparece
E a escuridão perneia...
sai...
porta a fora...
ali abraça a lua que com graça...
cheia...
te diz ao pé do ouvido...
você é minha sereia...
reclina calma...deita....sonhe....
minha aura de luz dorme contigo.

Quem sou...
Sou aquele que te carregou ao longo da praia...
mesmo nas piores tempestades...
e jamais te abandonou...
Ainda dentes as ondas vir beijar-te os pés...
morrer tranqüilas...
sou eu...
a venho lavar-te ...
para te trazer nova alegria de viver...
quem sou?...
Talvez magia...
talvez...
um relicário com contas a desfiar...
Mas sou eu... que estou aqui quando acordares do teu sonho...
sorrindo...
Eu sou... Você.
Tua alma gêmea...
tua mão protetora.
tua sombra...
teu tudo...
sem medo algum...
ao teu lado...
ei de sobreviver contigo.

Amém...

RS/SC, 24/11/2017
R. W.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

SUB ROSE - Uma Voz que Eu Escuto com Fervor

Deus...
me fez majestade...
musa do cupido...
como rosa...
Sou quente atrevida e perfumada.
Sou o elo entre o amor fiel e o proibido...
Todas flores me invejam...
desperto cortejada
Como rosa...
sou saudade para um amor antigo...
Sou aconchego para uma lágrima tombada...
Sou beijo doce para teu olhar entristecido...
Sou ...
como rosa ...
segredo de uma noite inacabada
E no entanto sou luxuria
como sonho aurido ...
Sonhos e promessas tenho aquecido
Feito ...
poesia ...
como em contos de fada ...
pois
Sou mensajeira do amor atrevido...
Feliz de ti ...
se me tiveres possuído ...
Triste ...
porém ...
se a mim rosa vermelha ...
não me deres pousada ...
Amém ...

RS, 22/11/2017
Renato Wallauer

Obs.: Gostei demais da tua rosa vermelha.....
tomei uma folha e me puz a escrever para VC....
Como se a rosa vermelha lhe falasse...

Uma Dádiva de Deus

Foi na Fazenda Pangaré
Que ele encontrou
Aquela Menina
Pedaço de mim

Esquecida pelo sistema
Em um fundo de campo
Nos escombros das Senzalas
Que restou

Foi na Fazenda Pangaré
Que ele resgatou
Aquela mulher
Pedaço de nós

Uma alma de anjo
Um espírito em ascensão
Um corpo em abandono
Carente de Amor

Florianópolis/SC, 08/11/2017
Maria Luiza_

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Uma Dadiva de Deus

Foi na Fazenda Pangaré
Que ele encontrou
Aquela Menina
Pedaço de mim
Esquecida pelo sistema
Em um fundo de campo
Nos escombros das Senzalas
Que restou
Foi na Fazenda Pangaré
Que ele resgatou
Aquela mulher
Pedaço de nós
Uma alma de anjo
Um espírito em ascensão
Um corpo em abandono
Carente de Amor

Maria Luiza - Florianópolis/SC 08/11/2017